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Bolo de Aniversário de São Paulo - Capítulo 2


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Capítulo 2 — 454 metros para desaparecer em segundos


O auge e o maravilhoso absurdo do “ataque ao bolo”


Levava quase uma semana para fazer.

Algumas horas para montar.

E segundos para desaparecer.

Literalmente.

Na madrugada de 25 de janeiro, enquanto boa parte de São Paulo ainda dormia, alguma coisa muito estranha começava a acontecer no Bixiga.

Mesas ocupavam a Rua Rui Barbosa.

Caminhões chegavam carregados.

Placas e mais placas de bolo eram descarregadas e colocadas lado a lado.

Funcionários corriam.

Voluntários ajudavam.

Cobertura era preparada.

Confeitos eram espalhados.

A rua ia deixando de parecer uma rua.

Virava uma confeitaria com centenas de metros de comprimento.

E, atrás das barreiras, começavam a aparecer os primeiros paulistanos.

Alguns traziam pratos.

Outros, assadeiras.

Panelas.

Potes de sorvete.

Sacolas de supermercado.

Qualquer recipiente que pudesse carregar um pedaço do aniversário de São Paulo.

A festa comunitária que Armandinho Puglisi imaginara nos anos 1980 havia crescido.

Muito.

Agora havia patrocinadores, cozinha industrial, caminhões, interdição de trânsito, Polícia Militar, CET, Prefeitura e uma operação que começava meses antes.

No centro de tudo continuava Walter Taverna.

E Walter tinha um nome bastante peculiar para o momento em que aquela multidão finalmente seria autorizada a avançar:

“Ataque ao bolo.”


Da cozinha das mammas para uma fábrica de bolo


No começo, como vimos no capítulo anterior, o Bolo do Bixiga era uma colagem de receitas.

As mammas preparavam os bolos.

Cantinas e padarias ajudavam.

Famílias apareciam carregando assadeiras.

Mas havia um problema matemático inevitável.

São Paulo continuava envelhecendo.

E o bolo precisava acompanhá-la.

Quando a tradição de fazer aproximadamente um metro de bolo para cada ano da cidade se consolidou, a cozinha doméstica deixou de ser suficiente.

Era preciso industrializar uma festa que havia nascido justamente como uma brincadeira de bairro.

A produção acabou centralizada na Escola SENAI Horácio Augusto da Silveira, na Barra Funda, que possuía estrutura capaz de processar quantidades quase absurdas de ingredientes.

Empresas passaram a fornecer produtos e recursos para a festa.

Ao longo dos anos aparecem entre os parceiros marcas como Dona Benta, Garoto, Carrefour, Extra, Primor e Açúcar União.

A festa continuava gratuita.

Mas o bolo agora dependia de uma enorme cadeia de colaboração.

Walter começava a procurar parceiros até seis meses antes do aniversário.

Depois precisava articular o SENAI.

A Prefeitura.

A CET.

A Polícia Militar.

Fornecedores.

Transporte.

Mesas.

Montagem.

Voluntários.

Tudo isso para produzir uma coisa destinada a existir por pouquíssimo tempo.


Uma receita para alimentar uma rua


Em 2006, quando São Paulo completou 452 anos, a receita oficial do bolo parece menos uma receita e mais uma lista de abastecimento.

Foram aproximadamente:

1.498 quilos de farinha.

622 quilos de margarina.

80 quilos de fermento.

13.158 ovos.

1.145 litros de leite.

55 quilos de coco ralado.

E isso era apenas o bolo.

Por cima dele ainda iria aproximadamente uma tonelada de marshmallow, mais leite e 120 quilos de confeitos coloridos.

Para transformar aquilo em 452 metros de bolo foram necessárias, segundo a organização, cerca de 48 horas de batimento de massa e 82 horas de cozimento.

Não significava, evidentemente, um único forno funcionando durante 82 horas ininterruptas.

Era a soma de uma produção industrial feita em etapas, com fornadas e placas que depois seriam reunidas.

Porque o gigantesco Bolo do Bixiga continuava obedecendo à mesma lógica do pequeno bolo original.

Ele parecia um só.

Mas era feito de muitos.


O bolo viajava pela cidade


E havia ainda outro pequeno problema.

O bolo era produzido na Barra Funda.

A festa acontecia no Bixiga.

Portanto, centenas de metros de aniversário precisavam viajar.

Relatos da organização descrevem uma operação que começava durante a madrugada.

As placas eram preparadas.

Depois colocadas em caminhões.

Por volta da manhã, seguiam para a Rua Rui Barbosa.

Ali encontravam as mesas já montadas.

As placas eram alinhadas umas às outras.

A cobertura era finalizada.

Os confeitos entravam por último.

A rua interditada funcionava como uma gigantesca linha de montagem.

De um lado:

bolo.

Bolo.

Bolo.

Mais bolo.

Do outro:

gente.

Cada vez mais gente.


E as pessoas vinham preparadas


Esse detalhe é importante.

O paulistano experiente não aparecia no Bixiga apenas com fome.

Aparecia equipado.

Segundo registros do Centro de Memória do Bixiga, perto de cinco mil pessoas podiam disputar o bolo em algumas edições.

E elas traziam recipientes.

Assadeiras.

Potes de sorvete.

Sacolas.

Panelas.

Travessas.

Havia quem quisesse apenas comer um pedaço ali mesmo.

Mas também havia quem pretendesse sair da Rua Rui Barbosa levando para casa uma quantidade bastante respeitável do aniversário da cidade.

Podemos imaginar um diálogo perfeitamente possível na calçada:

— Você trouxe prato?

— Trouxe.

— Só isso?

O veterano olha para o novato com alguma piedade.

Abre a sacola.

Lá dentro há um pote.

Depois outro.

E uma assadeira.

— Primeiro ano?


O ritual


Apesar da ansiedade coletiva, existia uma cerimônia.

O bolo estava pronto.

A multidão esperava.

Chegava a hora marcada.

Walter Taverna assumia o comando.

Cantava-se o Parabéns.

E então vinha a liberação.

Era nesse momento que terminava qualquer semelhança com uma festa de aniversário convencional.

Walter não chamava aquilo simplesmente de distribuição.

Chamava de:

ataque.

E gostava disso.

Para ele, aquela era justamente a graça da festa: todo mundo queria participar, brincar e conseguir “um pedaço do aniversário de São Paulo”.

A palavra descrevia perfeitamente o que acontecia.

Imagine centenas de metros de mesa.

Agora imagine milhares de pessoas posicionadas ao longo dela.

E todas recebem autorização para pegar o bolo praticamente ao mesmo tempo.

Não existe fila capaz de explicar a cena.

Existe movimento.


Sete segundos


Em 2004, São Paulo completou 450 anos.

O bolo acompanhou.

Naquele ano, o SENAI chegou a preparar três sabores — coco, milho e chocolate com pimenta — numa homenagem à diversidade cultural da cidade.

Foram dias de preparação.

Produção industrial.

Transporte.

Montagem.

Cobertura.

Multidão.

Parabéns.

Ataque.

Sete segundos.

Acabou.


Cinco segundos


25 de janeiro de 2005.

São Paulo:

451 anos.

O bolo:

451 metros.

A multidão aparentemente havia aperfeiçoado a técnica.

Cinco segundos.

Dois segundos a menos.

Aquela festa estava desenvolvendo uma métrica absolutamente absurda.

Quanto maior ficava o bolo...

mais rapidamente ele desaparecia.

E então chegou 2006.


Quatro segundos


São Paulo acordou em 25 de janeiro de 2006 com 452 anos.

No Bixiga havia, portanto, 452 metros de bolo esperando pelo ataque.

A Rua Rui Barbosa estava interditada entre a Conselheiro Carrão e a Praça Dom Orione.

Segundo a Polícia Militar, aproximadamente 1.500 pessoas estavam presentes naquele momento — outras memórias e estimativas do evento falam em públicos maiores nas edições de auge.

O bolo estava pronto.

A organização ainda não havia dado o sinal.

O Parabéns nem tinha começado direito.

Então apareceu um ciclista.

E aqui a história do Bolo do Bixiga atinge um grau de absurdo que dificilmente poderia ser inventado.

O ciclista tinha uma sirene.

Por brincadeira, fez soar um sinal parecido com aquele usado pela organização para liberar o acesso ao bolo.

A multidão ouviu.

Interpretou.

E tomou uma decisão coletiva:

É agora.

— Não! Não é ainda!

Tarde demais.

As pessoas avançaram.

Assadeiras.

Pratos.

Potes.

Sacolas.

Mãos.

452 metros de bolo começaram a desaparecer simultaneamente.

Um.

Dois.

Três.

Quatro.

Acabou.

O ataque havia começado aproximadamente vinte minutos antes do previsto.

E o Parabéns perdeu a corrida para o bolo.


O recorde dos quatro segundos não é lenda


Essa história foi repetida tantas vezes que poderia facilmente ter virado uma daquelas lendas do Bixiga que ficam melhores a cada vez que alguém conta.

Mas os quatro segundos estão documentados.

Reportagens publicadas no próprio dia 25 de janeiro de 2006 registraram que o bolo foi consumido em quatro segundos e identificaram a falsa sirene do ciclista como responsável pela largada antecipada.

Também registraram a progressão:

2004 — 7 segundos.

2005 — 5 segundos.

2006 — 4 segundos.

Portanto, quando alguém disser que quase meio quilômetro de bolo desapareceu em quatro segundos no Bixiga, não é necessário melhorar a história.

Ela já é absurda o suficiente exatamente como aconteceu.


Como fazer desaparecer 452 metros de bolo?


Cidade: São Paulo


Ano: 2006


Idade da cidade: 452 anos


Comprimento do bolo: 452 metros


Para fazer


1.498 kg de farinha


622 kg de margarina


80 kg de fermento


13.158 ovos


1.145 litros de leite


55 kg de coco ralado


Para cobrir


aproximadamente 1 tonelada de marshmallow


mais leite


120 kg de confeitos coloridos


Para produzir


48 horas acumuladas de batimento


82 horas acumuladas de cozimento


produção na Escola SENAI Horácio Augusto da Silveira


Para comer


aproximadamente:

4 segundos.

Resultado:

cada segundo eliminou, em média, o equivalente a 113 metros de bolo.

Não tente reproduzir em casa.


Mas ainda faltavam dois metros


O recorde de 2006 não encerrou a escalada.

São Paulo continuou fazendo aniversário.

Em 2007:

453 anos.

Em 2008:

454.

E o Bixiga preparou novamente 454 metros de bolo.

A produção começou no dia 19 de janeiro e deveria seguir até a manhã do dia 25.

Cerca de 30 pessoas trabalhariam diretamente no preparo das placas e na montagem.

A receita daquele ano previa:

1.503 quilos de farinha.

644 quilos de margarina.

82 quilos de fermento.

13.202 ovos.

608 quilos de açúcar.

2.150 litros de leite.

uma tonelada de marshmallow.

150 quilos de confeitos.

Os sabores seriam laranja e baunilha.

A expectativa divulgada era de aproximadamente seis mil pessoas.

Algumas chegavam de madrugada para conseguir posição.

E a previsão da organização era bastante objetiva.

Depois de quase uma semana de trabalho...

454 metros desapareceriam em aproximadamente sete segundos.


25 de janeiro de 2008


Naquela manhã, as mesas estavam novamente na Rua Rui Barbosa.

O bolo estava no lugar.

A multidão também.

Panelas e sacolas estavam preparadas.

Walter Taverna estava ali.

Era mais um aniversário de São Paulo.

Mais um Bolo do Bixiga.

Mais um ataque.

Depois de mais de duas décadas, todos já conheciam as regras daquele caos organizado.

Ou pelo menos achavam que conheciam.

Porque naquele ano havia algumas pessoas novas no meio da multidão.

Uma equipe de televisão havia chegado ao Bixiga.

E o que deveria ser apenas mais um ataque de alguns segundos acabaria se transformando numa guerra.

Uma guerra de bolo.

E, quando a Rua Rui Barbosa fosse limpa, o problema não seria apenas o marshmallow espalhado pelo chão.

O Bolo do Bixiga perderia aquilo que tornara possível produzir seus 454 metros.

Os patrocinadores.


Continua no Capítulo 3 — O dia em que a brincadeira passou do ponto.



Chapter 2 — 454 Meters Gone in Seconds


The Peak Years and the Wonderful Absurdity of the “Cake Attack”


It took almost a week to make.

A few hours to assemble.

And seconds to disappear.

Literally.

In the early hours of January 25, while much of São Paulo was still asleep, something very strange was beginning to happen in Bixiga.

Tables took over Rua Rui Barbosa.

Trucks arrived loaded with cake.

Slab after slab was unloaded and placed side by side.

Workers rushed around.

Volunteers helped.

Frosting was prepared.

Sprinkles were scattered.

Little by little, the street stopped looking like a street.

It became a bakery hundreds of meters long.

And behind the barriers, the first Paulistanos began to arrive.

Some brought plates.

Others brought baking trays.

Pots.

Ice cream containers.

Shopping bags.

Anything capable of carrying away a piece of São Paulo’s birthday.

The neighborhood celebration that Armandinho Puglisi had imagined in the 1980s had grown.

A lot.

There were now sponsors, an industrial kitchen, trucks, road closures, the Military Police, traffic authorities, City Hall, and an operation that began months in advance.

At the center of it all was still Walter Taverna.

And Walter had a rather peculiar name for the moment when the crowd would finally be allowed to advance:

the “Cake Attack.”


From the Mammas’ Kitchens to a Cake Factory


In the beginning, as we saw in the previous chapter, the Bixiga Birthday Cake was a patchwork of recipes.

The mammas baked cakes.

Local cantinas and bakeries helped.

Families arrived carrying baking trays.

But there was an inevitable mathematical problem.

São Paulo kept getting older.

And the cake had to keep up.

Once the tradition of making approximately one meter of cake for every year of the city’s age became established, home kitchens were no longer enough.

A neighborhood celebration born from a simple community idea had to become industrialized.

Production was eventually centralized at the Horácio Augusto da Silveira SENAI School, in Barra Funda, which had facilities capable of processing almost absurd quantities of ingredients.

Companies began supplying products and resources for the celebration.

Over the years, brands such as Dona Benta, Garoto, Carrefour, Extra, Primor, and Açúcar União appeared among the event’s partners.

The celebration remained free.

But the cake now depended on an enormous chain of collaboration.

Walter would start looking for partners as much as six months before the anniversary.

Then he had to coordinate with SENAI.

City Hall.

Traffic authorities.

The Military Police.

Suppliers.

Transportation.

Tables.

Assembly crews.

Volunteers.

All of this to produce something destined to exist for an extraordinarily short time.


A Recipe Big Enough to Feed a Street


In 2006, when São Paulo celebrated its 452nd birthday, the official cake recipe looked less like a recipe and more like a wholesale supply order.

It required approximately:

1,498 kilograms of flour.

622 kilograms of margarine.

80 kilograms of baking powder.

13,158 eggs.

1,145 liters of milk.

55 kilograms of shredded coconut.

And that was just the cake.

On top went approximately one metric ton of marshmallow frosting, more milk, and 120 kilograms of colorful sprinkles.

According to the organizers, turning all of that into 452 meters of cake required approximately 48 accumulated hours of mixing and 82 accumulated hours of baking.

That did not, of course, mean a single oven running continuously for 82 hours.

It was the total production time of an industrial process involving multiple batches and cake slabs that would later be joined together.

Because the enormous Bixiga Birthday Cake still followed the same principle as the original little neighborhood cake.

It looked like one cake.

But it was made from many.


The Cake Had to Travel Across São Paulo


And there was another small problem.

The cake was made in Barra Funda.

The celebration took place in Bixiga.

Which meant that hundreds of meters of birthday cake had to travel across the city.

Accounts from the organizers describe an operation beginning in the early hours of the morning.

The slabs were prepared.

Then loaded onto trucks.

Later that morning, they traveled to Rua Rui Barbosa.

There, rows of tables were already waiting.

The cake slabs were lined up one after another.

The frosting was finished on site.

The sprinkles came last.

The closed-off street became a gigantic assembly line.

On one side:

cake.

Cake.

Cake.

More cake.

On the other:

people.

More and more people.


And People Came Prepared


This detail matters.

An experienced Paulistano did not arrive in Bixiga merely hungry.

They arrived equipped.

According to records from the Bixiga Memory Center, around five thousand people could compete for the cake during some editions.

And they brought containers.

Baking trays.

Ice cream tubs.

Shopping bags.

Pots.

Serving dishes.

Some people simply wanted to eat a slice right there.

Others apparently intended to leave Rua Rui Barbosa carrying home a fairly substantial portion of São Paulo’s birthday.

We can imagine a perfectly plausible conversation on the sidewalk:

— Did you bring a plate?

— Yes.

— That’s all?

The veteran looks at the newcomer with a hint of pity.

He opens his bag.

Inside is a container.

Then another.

And a baking tray.

— First year?


The Ritual


Despite the collective anxiety, there was a ceremony.

The cake was ready.

The crowd waited.

The appointed time arrived.

Walter Taverna took command.

Everyone sang “Happy Birthday.”

And then came the signal.

That was the moment when any resemblance to an ordinary birthday party disappeared.

Walter did not simply call it the distribution.

He called it:

the attack.

And he loved it.

For him, that was precisely the fun of the celebration: everyone wanted to participate, play along, and take home “a piece of São Paulo’s birthday.”

The word described what happened remarkably well.

Imagine hundreds of meters of tables.

Now imagine thousands of people positioned along them.

And then everyone is given permission to grab the cake at virtually the same moment.

No orderly line can adequately describe the scene.

There is only movement.


Seven Seconds


In 2004, São Paulo turned 450.

The cake followed suit.

That year, SENAI even prepared three flavors — coconut, corn, and chocolate with chili pepper — as a tribute to the city’s cultural diversity.

Days of preparation.

Industrial production.

Transportation.

Assembly.

Frosting.

A crowd.

“Happy Birthday.”

Attack.

Seven seconds.

Gone.


Five Seconds


January 25, 2005.

São Paulo:

451 years old.

The cake:

451 meters long.

The crowd had apparently perfected its technique.

Five seconds.

Two seconds faster.

The celebration was developing an absolutely absurd metric.

The larger the cake became...

the faster it disappeared.

And then came 2006.


Four Seconds


São Paulo woke up on January 25, 2006, 452 years old.

In Bixiga, therefore, 452 meters of cake were waiting for the attack.

Rua Rui Barbosa had been closed to traffic between Conselheiro Carrão and Praça Dom Orione.

According to the Military Police, approximately 1,500 people were there at that particular moment — although other accounts and estimates from the event’s peak years mention much larger crowds.

The cake was ready.

The organizers had not yet given the signal.

The “Happy Birthday” song had barely begun.

Then a cyclist appeared.

And this is where the story of the Bixiga Birthday Cake reaches a degree of absurdity that would be difficult to invent.

The cyclist had a siren.

As a joke, he sounded something similar to the signal used by the organizers to release the crowd toward the cake.

The crowd heard it.

Interpreted it.

And made a collective decision:

This is it.

— No! Not yet!

Too late.

The crowd surged forward.

Baking trays.

Plates.

Containers.

Bags.

Hands.

All 452 meters of cake began disappearing simultaneously.

One.

Two.

Three.

Four.

Gone.

The attack had started approximately twenty minutes ahead of schedule.

And “Happy Birthday” lost the race against the cake.


The Four-Second Record Is Not a Legend


The story has been repeated so many times that it could easily have become one of those Bixiga legends that gets better every time someone tells it.

But the four seconds are documented.

News reports published on January 25, 2006 itself recorded that the cake was consumed in four seconds and identified the cyclist’s false siren as the reason for the premature start.

They also recorded the progression:

2004 — 7 seconds.

2005 — 5 seconds.

2006 — 4 seconds.

So when someone tells you that almost half a kilometer of cake disappeared in four seconds in Bixiga, there is no need to embellish the story.

It is already absurd enough exactly as it happened.


How Do You Make 452 Meters of Cake Disappear?


City: São Paulo


Year: 2006


Age of the city: 452 years


Length of the cake: 452 meters

To make it

1,498 kg of flour


622 kg of margarine


80 kg of baking powder


13,158 eggs


1,145 liters of milk


55 kg of shredded coconut

To cover it

approximately 1 metric ton of marshmallow frosting


additional milk


120 kg of colorful sprinkles

To produce it

48 accumulated hours of mixing


82 accumulated hours of baking


production at the Horácio Augusto da Silveira SENAI School

To eat it

approximately:

4 seconds.

The result:

each second eliminated, on average, the equivalent of 113 meters of cake.

Do not try this at home.


But There Were Still Two Meters to Go


The 2006 record did not end the escalation.

São Paulo kept having birthdays.

In 2007:

453 years old.

In 2008:

454.

And Bixiga once again prepared 454 meters of cake.

Production began on January 19 and was expected to continue until the morning of January 25.

Around 30 people would work directly on preparing the cake slabs and assembling them.

That year’s recipe called for:

1,503 kilograms of flour.

644 kilograms of margarine.

82 kilograms of baking powder.

13,202 eggs.

608 kilograms of sugar.

2,150 liters of milk.

one metric ton of marshmallow frosting.

150 kilograms of sprinkles.

The flavors would be orange and vanilla.

Organizers expected approximately six thousand people.

Some arrived in the early hours of the morning to secure a good position.

And the organizers’ prediction was remarkably straightforward.

After almost a week of work...

454 meters of cake would disappear in approximately seven seconds.


January 25, 2008


That morning, the tables were once again lined up along Rua Rui Barbosa.

The cake was in place.

So was the crowd.

Pots and bags were ready.

Walter Taverna was there.

It was another São Paulo birthday.

Another Bixiga Birthday Cake.

Another attack.

After more than two decades, everyone knew the rules of this organized chaos.

Or at least they thought they did.

Because that year, there were some new faces in the crowd.

A television crew had arrived in Bixiga.

And what should have been just another attack lasting a few seconds would turn into a battle.

A food fight.

And once Rua Rui Barbosa had been cleaned up, the problem would not simply be the marshmallow frosting smeared across the pavement.

The Bixiga Birthday Cake would lose the very thing that had made its 454 meters possible.

Its sponsors.


Continued in Chapter 3 — The Day the Joke Went Too Far.



Capítulo 2 — 454 metros para desaparecer en segundos


El apogeo y el maravilloso absurdo del “ataque al pastel”


Llevaba casi una semana prepararlo.

Algunas horas montarlo.

Y segundos hacerlo desaparecer.

Literalmente.

En la madrugada del 25 de enero, mientras buena parte de São Paulo todavía dormía, algo muy extraño comenzaba a suceder en el Bixiga.

Las mesas ocupaban la Rua Rui Barbosa.

Llegaban camiones cargados.

Placa tras placa de pastel era descargada y colocada una al lado de la otra.

Los trabajadores corrían.

Los voluntarios ayudaban.

Se preparaba la cobertura.

Se esparcían los confites.

La calle iba dejando de parecer una calle.

Se convertía en una pastelería de cientos de metros de largo.

Y, detrás de las barreras, comenzaban a aparecer los primeros paulistanos.

Algunos llevaban platos.

Otros, bandejas.

Ollas.

Recipientes de helado.

Bolsas de supermercado.

Cualquier cosa capaz de transportar un pedazo del cumpleaños de São Paulo.

La fiesta comunitaria que Armandinho Puglisi había imaginado en la década de 1980 había crecido.

Mucho.

Ahora había patrocinadores, cocina industrial, camiones, calles cerradas al tránsito, Policía Militar, autoridades de tránsito, Ayuntamiento y una operación que comenzaba meses antes.

En el centro de todo seguía estando Walter Taverna.

Y Walter tenía un nombre bastante peculiar para el momento en que aquella multitud finalmente recibiría autorización para avanzar:

“el ataque al pastel”.


De las cocinas de las mammas a una fábrica de pasteles


Al principio, como vimos en el capítulo anterior, el Pastel del Bixiga era un mosaico de recetas.

Las mammas preparaban los pasteles.

Las cantinas y panaderías ayudaban.

Las familias llegaban cargando bandejas.

Pero existía un problema matemático inevitable.

São Paulo seguía envejeciendo.

Y el pastel tenía que acompañarla.

Cuando se consolidó la tradición de preparar aproximadamente un metro de pastel por cada año de vida de la ciudad, las cocinas domésticas dejaron de ser suficientes.

Había que industrializar una fiesta que había nacido precisamente como una celebración de barrio.

La producción terminó centralizándose en la Escuela SENAI Horácio Augusto da Silveira, en Barra Funda, que contaba con instalaciones capaces de procesar cantidades casi absurdas de ingredientes.

Las empresas comenzaron a aportar productos y recursos para la fiesta.

A lo largo de los años aparecen entre los colaboradores marcas como Dona Benta, Garoto, Carrefour, Extra, Primor y Açúcar União.

La fiesta seguía siendo gratuita.

Pero el pastel ahora dependía de una enorme cadena de colaboración.

Walter comenzaba a buscar colaboradores hasta seis meses antes del aniversario.

Después tenía que coordinar al SENAI.

El Ayuntamiento.

Las autoridades de tránsito.

La Policía Militar.

Los proveedores.

El transporte.

Las mesas.

El montaje.

Los voluntarios.

Todo eso para producir algo destinado a existir durante poquísimo tiempo.


Una receta para alimentar una calle


En 2006, cuando São Paulo cumplió 452 años, la receta oficial del pastel parecía menos una receta y más una lista de abastecimiento.

Fueron aproximadamente:

1.498 kilos de harina.

622 kilos de margarina.

80 kilos de polvo de hornear.

13.158 huevos.

1.145 litros de leche.

55 kilos de coco rallado.

Y eso era solamente el pastel.

Por encima todavía se utilizaría aproximadamente una tonelada de cobertura de marshmallow, además de leche y 120 kilos de confites de colores.

Para transformar todo aquello en 452 metros de pastel fueron necesarias, según la organización, cerca de 48 horas acumuladas de batido de masa y 82 horas acumuladas de horneado.

Eso no significaba, evidentemente, un único horno funcionando durante 82 horas sin interrupción.

Era la suma de una producción industrial realizada por etapas, con diferentes hornadas y placas que después serían reunidas.

Porque el gigantesco Pastel del Bixiga seguía obedeciendo a la misma lógica del pequeño pastel original.

Parecía uno solo.

Pero estaba hecho de muchos.


El pastel viajaba por la ciudad


Y todavía había otro pequeño problema.

El pastel se producía en Barra Funda.

La fiesta se celebraba en el Bixiga.

Por lo tanto, cientos de metros de cumpleaños tenían que viajar por la ciudad.

Los relatos de la organización describen una operación que comenzaba durante la madrugada.

Se preparaban las placas.

Después eran cargadas en camiones.

Por la mañana, seguían rumbo a la Rua Rui Barbosa.

Allí encontraban las mesas ya montadas.

Las placas eran alineadas unas junto a otras.

La cobertura se terminaba en el lugar.

Los confites llegaban al final.

La calle cerrada al tránsito funcionaba como una gigantesca línea de montaje.

De un lado:

pastel.

Pastel.

Pastel.

Más pastel.

Del otro:

gente.

Cada vez más gente.


Y la gente llegaba preparada


Este detalle es importante.

El paulistano experimentado no llegaba al Bixiga solamente con hambre.

Llegaba equipado.

Según registros del Centro de Memoria del Bixiga, cerca de cinco mil personas podían disputarse el pastel en algunas ediciones.

Y llevaban recipientes.

Bandejas.

Envases de helado.

Bolsas.

Ollas.

Fuentes.

Había quien solamente quería comer un pedazo allí mismo.

Pero también había quien pretendía salir de la Rua Rui Barbosa llevándose a casa una cantidad bastante respetable del cumpleaños de la ciudad.

Podemos imaginar un diálogo perfectamente posible en la acera:

— ¿Trajiste un plato?

— Sí.

— ¿Solamente eso?

El veterano mira al novato con cierta compasión.

Abre la bolsa.

Dentro hay un recipiente.

Después otro.

Y una bandeja.

— ¿Es tu primer año?


El ritual


A pesar de la ansiedad colectiva, existía una ceremonia.

El pastel estaba listo.

La multitud esperaba.

Llegaba la hora marcada.

Walter Taverna asumía el mando.

Se cantaba el cumpleaños feliz.

Y entonces llegaba la autorización.

Era en ese momento cuando terminaba cualquier semejanza con una fiesta de cumpleaños convencional.

Walter no llamaba aquello simplemente distribución.

Lo llamaba:

ataque.

Y le encantaba.

Para él, esa era precisamente la gracia de la fiesta: todos querían participar, divertirse y conseguir “un pedazo del cumpleaños de São Paulo”.

La palabra describía perfectamente lo que sucedía.

Imagine cientos de metros de mesas.

Ahora imagine miles de personas posicionadas a lo largo de ellas.

Y todas reciben autorización para tomar el pastel prácticamente al mismo tiempo.

No existe una fila capaz de explicar la escena.

Existe movimiento.


Siete segundos


En 2004, São Paulo cumplió 450 años.

El pastel la acompañó.

Aquel año, el SENAI llegó a preparar tres sabores — coco, maíz y chocolate con chile — como homenaje a la diversidad cultural de la ciudad.

Días de preparación.

Producción industrial.

Transporte.

Montaje.

Cobertura.

Multitud.

Cumpleaños feliz.

Ataque.

Siete segundos.

Se acabó.


Cinco segundos


25 de enero de 2005.

São Paulo:

451 años.

El pastel:

451 metros.

La multitud aparentemente había perfeccionado la técnica.

Cinco segundos.

Dos segundos menos.

Aquella fiesta estaba desarrollando una métrica absolutamente absurda.

Cuanto más grande era el pastel...

más rápido desaparecía.

Y entonces llegó 2006.


Cuatro segundos


São Paulo despertó el 25 de enero de 2006 con 452 años.

En el Bixiga había, por lo tanto, 452 metros de pastel esperando el ataque.

La Rua Rui Barbosa estaba cerrada al tránsito entre Conselheiro Carrão y Praça Dom Orione.

Según la Policía Militar, aproximadamente 1.500 personas estaban presentes en aquel momento, aunque otros recuerdos y estimaciones de los años de apogeo del evento hablan de públicos mayores.

El pastel estaba listo.

La organización todavía no había dado la señal.

El cumpleaños feliz apenas había comenzado.

Entonces apareció un ciclista.

Y aquí la historia del Pastel del Bixiga alcanza un grado de absurdo que difícilmente podría ser inventado.

El ciclista tenía una sirena.

Como una broma, hizo sonar una señal parecida a la utilizada por los organizadores para liberar el acceso al pastel.

La multitud la escuchó.

La interpretó.

Y tomó una decisión colectiva:

Es ahora.

— ¡No! ¡Todavía no!

Demasiado tarde.

La gente avanzó.

Bandejas.

Platos.

Recipientes.

Bolsas.

Manos.

Los 452 metros de pastel comenzaron a desaparecer simultáneamente.

Uno.

Dos.

Tres.

Cuatro.

Se acabó.

El ataque había comenzado aproximadamente veinte minutos antes de lo previsto.

Y el cumpleaños feliz perdió la carrera contra el pastel.


El récord de cuatro segundos no es una leyenda


Esta historia se ha repetido tantas veces que fácilmente podría haberse convertido en una de esas leyendas del Bixiga que mejoran cada vez que alguien las cuenta.

Pero los cuatro segundos están documentados.

Noticias publicadas el propio 25 de enero de 2006 registraron que el pastel fue consumido en cuatro segundos e identificaron la falsa sirena del ciclista como responsable de la salida anticipada.

También registraron la progresión:

2004 — 7 segundos.

2005 — 5 segundos.

2006 — 4 segundos.

Por lo tanto, cuando alguien diga que casi medio kilómetro de pastel desapareció en cuatro segundos en el Bixiga, no hace falta mejorar la historia.

Ya es suficientemente absurda exactamente como ocurrió.


¿Cómo hacer desaparecer 452 metros de pastel?


Ciudad: São Paulo


Año: 2006


Edad de la ciudad: 452 años


Longitud del pastel: 452 metros

Para prepararlo

1.498 kg de harina


622 kg de margarina


80 kg de polvo de hornear


13.158 huevos


1.145 litros de leche


55 kg de coco rallado

Para cubrirlo

aproximadamente 1 tonelada de cobertura de marshmallow


más leche


120 kg de confites de colores

Para producirlo

48 horas acumuladas de batido


82 horas acumuladas de horneado


producción en la Escuela SENAI Horácio Augusto da Silveira

Para comerlo

aproximadamente:

4 segundos.

Resultado:

cada segundo eliminó, en promedio, el equivalente a 113 metros de pastel.

No intente reproducirlo en casa.


Pero todavía faltaban dos metros


El récord de 2006 no detuvo la escalada.

São Paulo siguió cumpliendo años.

En 2007:

453 años.

En 2008:

454.

Y el Bixiga preparó nuevamente 454 metros de pastel.

La producción comenzó el 19 de enero y debía continuar hasta la mañana del día 25.

Cerca de 30 personas trabajarían directamente en la preparación de las placas y en el montaje.

La receta de aquel año preveía:

1.503 kilos de harina.

644 kilos de margarina.

82 kilos de polvo de hornear.

13.202 huevos.

608 kilos de azúcar.

2.150 litros de leche.

una tonelada de cobertura de marshmallow.

150 kilos de confites.

Los sabores serían naranja y vainilla.

La expectativa anunciada era de aproximadamente seis mil personas.

Algunas llegaban de madrugada para conseguir una buena posición.

Y la previsión de los organizadores era bastante objetiva.

Después de casi una semana de trabajo...

454 metros desaparecerían en aproximadamente siete segundos.

25 de enero de 2008

Aquella mañana, las mesas estaban nuevamente en la Rua Rui Barbosa.

El pastel estaba en su lugar.

La multitud también.

Las ollas y bolsas estaban preparadas.

Walter Taverna estaba allí.

Era otro aniversario de São Paulo.

Otro Pastel del Bixiga.

Otro ataque.

Después de más de dos décadas, todos ya conocían las reglas de aquel caos organizado.

O por lo menos creían conocerlas.

Porque aquel año había algunas personas nuevas entre la multitud.

Un equipo de televisión había llegado al Bixiga.

Y lo que debería haber sido apenas otro ataque de unos pocos segundos terminaría transformándose en una guerra.

Una guerra de pastel.

Y cuando la Rua Rui Barbosa estuviera limpia, el problema no sería solamente el marshmallow esparcido por el suelo.

El Pastel del Bixiga perdería aquello que había hecho posible producir sus 454 metros.

Los patrocinadores.


Continúa en el Capítulo 3 — El día en que la broma fue demasiado lejos.

 
 
 

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