A História do MASP O Vão Livre e Significado da Cor Vermelha
- Victor Mendes
- Jan 1
- 3 min read
MASP: Muito Mais que um Museu, um Símbolo de São Paulo e da Arquitetura Moderna

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) é, sem dúvida, um dos principais ícones culturais e arquitetônicos do Brasil e do Hemisfério Sul. Fundado em 1947 pelo empresário Assis Chateaubriand, com a direção do crítico italiano Pietro Maria Bardi, o MASP nasceu como o primeiro museu moderno do país, com a missão de questionar o tradicional modelo europeu e se estabelecer como um "museu de arte sem adjetivos".
A Revolução de Lina Bo Bardi na Paulista
Inicialmente instalado no que era um prédio discreto na Rua 7 de Abril, no centro, o museu ganhou sua icônica sede na Avenida Paulista em 1968, através do arrojado projeto de Lina Bo Bardi. A arquiteta modernista criou uma estrutura brutalista de vidro e concreto aparente, que se destaca pela leveza, transparência e suspensão. O elemento mais famoso é o vasto espaço sob o edifício, conhecido como "vão livre de 70 metros", concebido para ser uma praça pública e que até hoje persiste como um ponto estratégico de encontros e manifestações em São Paulo.
A criação do vão livre, no entanto, foi mais do que um gesto estético: foi uma condição imposta pela Prefeitura para a doação do terreno, visando preservar a vista da Avenida Paulista para o Vale do Anhangabaú. A solução de Lina foi, assim, um gesto de elegância arquitetônica e política, mantendo a paisagem urbana acessível e aberta.
Outra marca da radicalidade de Lina Bo Bardi são os cavaletes de cristal, criados para expor a vasta coleção — a mais importante de arte europeia do Hemisfério Sul, com mais de 11 mil obras que abrangem produções de diversas partes do mundo. Ao tirar as obras das paredes e suspendê-las, a expografia transparente e aberta permite ao público escolher livremente seu percurso, rompendo com a narrativa linear imposta pelos museus tradicionais.

Do Concreto Aparente ao Vermelho-Bombeiro
A história do edifício não é isenta de desafios. O concreto aparente, elemento central do projeto, sofreu com persistentes infiltrações e goteiras na pinacoteca a partir de 1968. O problema era tão grave que o museu precisou colocar bacias e baldes espalhados pelo salão para proteger as obras de arte. Por anos, a resistência de Lina Bo Bardi e do co-autor Figueiredo Ferraz em revestir o concreto por questões estéticas e de integridade do projeto original adiou uma solução definitiva. Lina vetou, por exemplo, a proposta de impermeabilizar as vigas com silicone, argumentando que isso alteraria o visual brutalista do edifício, que, para ela, devia ser “nu e cru”.
Apenas em 1991, após anos de problemas e uma intensa reforma, a causa foi finalmente identificada: as infiltrações ocorriam pela porosidade das vigas de concreto aparente. Com o consentimento da arquiteta, uma empresa doou produtos para proteger a estrutura, e o MASP optou pela aplicação de uma cor marcante: o "Vermelho Masp" (ou vermelho-bombeiro). A pintura cumpriu uma dupla finalidade: técnica (impermeabilizar as vigas) e estética. A escolha do vermelho não foi aleatória; Lina buscou inspiração em um esboço antigo de seus projetos para o MASP, onde a cor já aparecia como um detalhe marcante. O tom incorporou-se à ideia original e vanguardista de Lina Bo Bardi, tornando-se uma nova glória para o edifício e recuperando a credibilidade da instituição.
MASP em Expansão: Um Museu para o Futuro
Desde 2019, o MASP desenvolve o projeto MASP em Expansão, que consiste na construção de um novo edifício de 14 andares, chamado Pietro Maria Bardi, interligado ao prédio original por um túnel subterrâneo (este último ainda em obra). O projeto é um marco na história do museu, visando:
Ampliação: Aumentar em 66% a capacidade expositiva e a área total, chegando a 17.680 m².
Homenagem: O novo prédio honrará o primeiro diretor artístico (Pietro Maria Bardi), enquanto o original receberá o nome de sua arquiteta (Lina Bo Bardi), somando-se ao nome do fundador (Assis Chateaubriand).
Funcionalidade: O novo edifício abrigará cinco galerias expositivas, galerias multiuso, restaurante, salas de aula e um moderno laboratório de restauro.
Devolução do Vão Livre: A bilheteria será transferida para o prédio Pietro, devolvendo o "vão livre" à sua função original de praça pública.
Sustentabilidade: O novo empreendimento buscará a certificação LEED, com soluções sustentáveis como fachada dupla, iluminação em LED e automação, visando a redução do consumo de energia.
Inaugurado no final de 2025 e totalmente financiado por doações de pessoas físicas, o MASP em Expansão consolida o museu e a Avenida Paulista como um dos mais importantes e completos eixos culturais do Brasil. A nova estrutura estará preparada para receber até 2 milhões de visitantes por ano, transformando o museu para acolher as próximas gerações e ampliar o acesso a um acervo cada vez mais diverso, inclusivo e plural.
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