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Paulista Aberta

Paulista Aberta: quando São Paulo reaprendeu a caminhar


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Tudo começou numa sala no Bixiga


Antes da se transformar na maior sala de estar do Brasil, ela começou… pequena.


Num apartamento no Bixiga

Música baixa.

Café na mesa.

Um clima leve, quase casual.


Mas, como acontece com frequência em São Paulo, por trás da simplicidade havia inquietação.


Estávamos ali: eu (Victor) , Letícia, Edson, Igor e Renata.


A ideia inicial parecia simples — uma gincana urbana.


Mas não para competir. Não para chegar mais rápido.


Era o contrário.


Era para desacelerar.


Para caminhar com atenção.


Para observar.


Para sentir a cidade.


Porque São Paulo, se você não para… passa despercebida.


E talvez tenha sido ali, naquela sala, que a gente começou a entender que o problema não era só a velocidade da cidade.


Era o fato de que ela não tinha sido feita para quem caminha.


Quando caminhar virou causa


Daquele encontro nasceu o Sampapé!


Primeiro como uma empresa social — depois como ONG.


A proposta era simples e ambiciosa ao mesmo tempo:


tornar São Paulo mais caminhável. Mais humana. Mais possível.


E para sustentar isso, começamos a fazer algo que parecia contra a lógica da cidade:


Passeios a pé.


Mas não para turistas.


Para o próprio paulistano.


Para que ele redescobrisse a cidade onde vive.


O Bixiga e a cidade que existe por trás da cidade


Meu primeiro roteiro foi no Bixiga.


E não foi uma escolha técnica.


Foi emocional.


Foi ali que cresci.


Ali que aprendi que São Paulo não é só concreto — é memória.


E no meio desse percurso, havia um lugar que parecia não caber na cidade:

a Vila Itororó


Quando a conheci, ela ainda estava em ruínas.


Habitada.


Viva de um jeito que não se vê mais.


Era um espaço entre tempos:


nem passado, nem presente — algo suspenso.


As casas, construídas com materiais reaproveitados, formavam um conjunto arquitetônico único. Um palacete improvisado, quase onírico, erguido no início do século XX.


Na época do primeiro passeio do SampaPé!, a vila já começava seu processo de desapropriação.


Havia ali uma tensão silenciosa:


o fim de um ciclo… e o começo de outro.


Hoje, restaurada, aberta ao público, palco de eventos e visitas, a Vila Itororó segue sendo o que sempre foi:


uma das joias mais únicas da arquitetura e da história de São Paulo.


Mas quem a viu antes…


carrega outra versão na memória.

E isso também é São Paulo.


A cidade que começou a se reconectar


Com o tempo, o SampaPé! cresceu.


E junto vieram conexões com outros movimentos que, mesmo sem se conhecerem totalmente, estavam tentando responder à mesma pergunta:


como devolver a cidade para as pessoas?


Bike Anjo.


Hortelões Urbanos.


Sampa da Garoa.


Virada Sustentável.


Baixo Centro.


Era uma rede informal, horizontal, viva.


Sem liderança central.


Mas com direção.


A Praia na Paulista


Então veio uma das imagens mais improváveis — e mais bonitas — da cidade.


No Dia Mundial Sem Carro (22 de setembro), surgiu um convite:


Ir para a Paulista… como se fosse praia.

E São Paulo, que raramente recusa uma boa ideia, respondeu.


E respondeu forte.


Gente de biquíni no asfalto.


Cadeiras de praia espalhadas.


Toalhas abertas entre os prédios.


Vôlei acontecendo onde antes só passavam carros.


Frescobol ecoando entre os edifícios.


Era estranho.


Era inesperado.


Era… perfeito.


Ali, talvez sem perceber, a cidade experimentou um novo uso para si mesma.


A Paulista antes de tudo isso


Para entender o que aconteceu depois, é preciso voltar no tempo.


A foi inaugurada em 1891, idealizada por Joaquim Eugênio de Lima.


Nasceu como um boulevard elegante.


Virou endereço dos barões do café.


Depois virou centro financeiro.


Depois palco político.


Mas aos domingos…


Ela esvaziava.


Lojas fechadas.


Pouca gente.


Uma cidade em pausa.


Da ideia à realidade


Após a experiência da Praia na Paulista, veio uma virada importante.


Uma viagem da Letícia à Colômbia trouxe inspiração para o projeto Ruas Abertas:


Fechar ruas.


Abrir cidades.


Com apoio do Baixo Centro, a proposta chegou ao então prefeito



A ideia era testar o modelo junto com a inauguração da ciclovia da Paulista, em 2015.


Mas havia um obstáculo real:


Um TAC com o Ministério Público limitava o fechamento da avenida a apenas dois dias por ano.


Mesmo assim… o teste aconteceu.


O dia em que a Paulista virou praça


Era 18 de outubro de 2015.


E não houve silêncio.


Houve vida.


A Paulista foi tomada.


Gente por todos os lados.


Apresentações de ginástica.


Ping pong no meio da avenida.


Frescobol.


Crianças correndo.


Não era mais uma via.


Era um espaço.


Era um encontro.


Era a cidade, finalmente, ocupando a si mesma.


A conquista coletiva


Depois de debates, resistência e insistência, o programa foi oficializado em 2016.


Nascia a Paulista Aberta.


Mas mais do que isso:

Nascia uma nova forma de viver São Paulo.


A Paulista de hoje


Hoje, aos domingos e feriados, a Paulista pulsa.


Museus cheios.


Artistas se apresentando.


Famílias ocupando o asfalto.


Turistas surpresos.


E a reação é sempre a mesma:


“Eu não imaginava isso em São Paulo.”


Surpresa com a quantidade de gente.


Com a diversidade.


Com a energia.


A avenida que já foi símbolo de poder econômico virou símbolo de convivência.


O que ficou


Hoje não faço mais parte do SampaPé!.


Mas estive lá.


Participei.


Vi acontecer.


Senti a transformação.


E o sentimento que fica é claro:


orgulho.


Porque a Paulista Aberta não é só uma política pública.


É um desejo coletivo que encontrou forma.


São Paulo é…


“São Paulo é um caldeirão de culturas e surpresas a cada esquina.”


E talvez nenhum lugar represente isso melhor do que a Paulista num domingo.


Um convite


Se existe uma forma de entender São Paulo…


não é de dentro de um carro.


É caminhando.


Observando.


Sentindo.


Descobrindo.


E às vezes… se permitindo perder.


Porque é assim que a cidade se revela.

E se você quiser viver São Paulo desse jeito —


com tempo, com história, com olhar —

a gente pode caminhar juntos.




Paulista Open: when São Paulo learned how to walk again


It all started in a living room in Bixiga


Before became one of the most iconic open streets in the world, it started… small.


In a living room in Bixiga


Low music. Coffee on the table. A friendly atmosphere.


But like many things in São Paulo, beneath the simplicity there was restlessness.


We were there: myself, Letícia Sabino, Edson, Igor, and Renata.


The idea at first sounded simple — an urban scavenger hunt.


But not about speed. Not about winning.

It was about slowing down.


Walking with intention.


Observing.


Feeling the city.


Because São Paulo, if you don’t pause… simply passes you by.


And maybe that was the moment we realized:


the problem wasn’t just the pace of the city.


It was that the city wasn’t built for those who walk it.


When walking became a cause


From that meeting, was born.


First as a social enterprise — later as an NGO.


The mission was simple, yet bold:


make São Paulo more walkable, more human, more livable.


To support that vision, we started doing something that went against the city’s logic:


Walking tours.


But not for tourists.


For locals.


For people to rediscover their own city.


Bixiga and the hidden city within the city


My first route was in Bixiga.


Not a strategic decision — an emotional one.


That’s where I grew up.


Where I learned that São Paulo isn’t just concrete — it’s memory.


And along that route, there was a place that felt like it didn’t belong to time:

Vila Itororó.

When I first saw it, it was still in ruins.

Inhabited.


Alive in a way that cities rarely are.

A place suspended between past and present.


Its architecture — built with reused materials — created something entirely unique. Almost dreamlike.


At the time of our first SampaPé! walk, the site was beginning its expropriation process.


There was a quiet tension in the air:


the end of a chapter… and the beginning of another.


Today, restored and open to the public, hosting cultural events and visits, Vila Itororó remains what it always was:


one of the most unique architectural and historical treasures in São Paulo.


But those who saw it before…


carry a different version of it inside them.

And that too is São Paulo.


When the city started reconnecting


As SampaPé! grew, so did the connections.

Different urban movements began to intersect:


  • Bike Anjo

  • Hortelões Urbanos

  • Sampa da Garoa

  • Virada Sustentável

  • Baixo Centro


It was a horizontal movement.


No central leadership.


No single owner.


Just a shared purpose:


give the city back to people.


The Beach on Paulista


Then came one of the most surreal and beautiful moments in the city’s recent history.


On World Car-Free Day (September 22), an idea emerged:


Let’s go to Paulista… like it’s a beach.


And São Paulo — a city that rarely refuses a good idea — showed up.


And showed up big.


People in swimsuits on the asphalt.


Beach chairs everywhere.


Towels laid between skyscrapers.


Volleyball games in the middle of the avenue.


Frescobol echoing between buildings.


It was unusual.


Unexpected.


And somehow… perfect.


For a brief moment, the city experienced a different version of itself.


Paulista before all of this


To understand what happened next, we need to go back.

 Av. Paulista was inaugurated in 1891, envisioned by Joaquim Eugênio de Lima

It began as an elegant boulevard



Home to coffee barons.


Then became a financial center.


Then a political stage.


But on Sundays…


It was empty.


Shops closed.


Few people.


A city on pause.


From idea to public policy


After the Beach on Paulista, something shifted.


A trip to Colombia brought inspiration for the Open Streets (Ruas Abertas) concept:


Close streets.


Open cities.


With support from urban movements, the idea reached then-mayor Fernando Haddad


.

The plan: test the program alongside the inauguration of the Paulista bike lane in 2015.


But there was a problem.


A legal agreement limited the avenue’s closure to just two days per year.


Still… the test went ahead.


The day Paulista became a plaza


It was October 18, 2015.


And there was no silence.


There was life.


The avenue was filled.


Families.


Artists.


Children.


Curious visitors.


Ping pong tables in the middle of the street.


Gymnastics performances.


Frescobol.


People simply… being there.


It was no longer a road.


It was a space.


It was a meeting point.


It was the city… reclaiming itself.


A collective achievement


After debate, resistance, and persistence, the program became official in 2016.


Paulista Open was born.


But more than that:


A new way of experiencing São Paulo was born.


Paulista today


Today, on Sundays and holidays, Paulista is alive.


Museums full.


Street performers everywhere.


Families occupying the asphalt.


Tourists trying to understand what they’re seeing.


And the reaction is always the same:


“I didn’t expect this in São Paulo.”


Surprise at the scale.


At the diversity.


At the energy.


What used to be a symbol of financial power became a symbol of coexistence.


What remains


I’m no longer part of SampaPé!.


But I was there.


I saw it happen.


I felt the transformation.


And what remains is simple:


pride.


Because Paulista Open is not just a public policy.


It’s a collective desire that found its way into reality.


São Paulo is…


“São Paulo is a melting pot of cultures and surprises at every corner.”


And there is no better place to feel that than Paulista on a Sunday.


An invitation


If there is a way to understand São Paulo…

it’s not from inside a car.


It’s by walking.


Observing.


Feeling.


Discovering.


And sometimes…

allowing yourself to get lost.


Because that’s when the city reveals itself.


And if you’d like to experience São Paulo this way —


with time, with stories, with a local perspective



we’ll be here to walk it with you. 🚶‍♂️



Paulista Abierta: cuando São Paulo aprendió a caminar de nuevo



Todo comenzó en una sala en Bixiga


Antes de que la se convirtiera en una de las calles abiertas más icónicas del mundo, todo empezó… pequeño.


En una sala en el .


Música suave. Café sobre la mesa. Un ambiente acogedor.


Pero como muchas cosas en São Paulo, detrás de la simplicidad había una inquietud.


Estábamos ahí: yo,(Victor) , Letícia, Edson, Igor y Renata.


La idea inicial parecía simple: una gincana urbana.


Pero no para competir. No para llegar más rápido.


Todo lo contrario.


Era para desacelerar.


Caminar con intención.


Observar.


Sentir la ciudad.


Porque São Paulo, si no te detienes… simplemente pasa frente a ti.


Y tal vez fue en ese momento cuando entendimos algo importante:


el problema no era solo la velocidad de la ciudad.


Era que la ciudad no estaba hecha para quien la camina.


Cuando caminar se volvió una causa


De ese encuentro nació .


Primero como una empresa social — luego como ONG.


La propuesta era simple, pero poderosa:


hacer de São Paulo una ciudad más caminable, más humana, más viva.


Y para sostener esa idea, hicimos algo que iba en contra de la lógica de la ciudad:

Recorridos a pie.


Pero no para turistas.


Para los propios paulistanos.


Para redescubrir la ciudad en la que viven.


Bixiga y la ciudad escondida dentro de la ciudad


Mi primer recorrido fue en Bixiga.


No fue una decisión estratégica.


Fue emocional.


Ahí crecí.


Ahí entendí que São Paulo no es solo concreto — es memoria.


Y en medio de ese recorrido, había un lugar que parecía fuera del tiempo:

la Vila Itororó.


Cuando la conocí, estaba en ruinas.

Habitada.


Viva de una forma rara y hermosa.

Un espacio suspendido entre épocas.

Su arquitectura — construida con materiales reutilizados — formaba algo único, casi onírico.


En la época del primer recorrido del SampaPé!, la villa comenzaba su proceso de expropiación.


Había una tensión silenciosa en el aire:


el fin de una historia… y el inicio de otra.


Hoy, restaurada, abierta al público y llena de actividades culturales, la Vila Itororó sigue siendo lo que siempre fue:


una de las joyas arquitectónicas e históricas más singulares de São Paulo.


Pero quienes la conocieron antes…


guardan otra versión en la memoria.

Y eso también es São Paulo.


Cuando la ciudad empezó a reconectarse


Con el tiempo, el SampaPé! creció.

Y con él, las conexiones.


Movimientos urbanos comenzaron a encontrarse:


  • Bike Anjo

  • Hortelões Urbanos

  • Sampa da Garoa

  • Virada Sustentável

  • Baixo Centro


Era un movimiento horizontal.


Sin líderes claros.


Sin un dueño.


Pero con un objetivo común:

devolver la ciudad a las personas.


La Playa en Paulista


Entonces llegó una de las escenas más improbables — y más hermosas — de la ciudad.


En el Día Mundial Sin Auto (22 de septiembre) surgió una idea:


Ir a la Paulista… como si fuera una playa.


Y São Paulo respondió.


Y respondió con fuerza.


Gente en traje de baño sobre el asfalto.


Sillas de playa por todas partes.


Toallas extendidas entre los edificios.


Vóley en medio de la avenida.


Frescobol resonando entre los rascacielos.


Era extraño.


Era inesperado.


Y al mismo tiempo… perfecto.


Por un momento, la ciudad experimentó otra versión de sí misma.


La Paulista antes de todo esto


Para entender lo que vino después, hay que mirar atrás.


La fue inaugurada en 1891, idealizada por Joaquim Eugênio de Lima

Nació como un boulevard elegante.



Fue hogar de la élite cafetera.


Se transformó en centro financiero.


Luego en escenario político.


Pero los domingos…


Estaba vacía.


Tiendas cerradas.


Poca gente.


Una ciudad en pausa.


De la idea a la realidad


Después de la experiencia de la Playa en Paulista, algo cambió.


Un viaje a Colombia trajo inspiración para el proyecto Calles Abiertas (Ruas Abertas):


Cerrar calles.


Abrir ciudades.


Con apoyo de movimientos urbanos, la propuesta llegó al entonces alcalde


.

La idea era probar el modelo junto con la inauguración de la ciclovía en 2015.

Pero había un obstáculo:


Un acuerdo legal limitaba el cierre de la avenida a solo dos días al año.


Aun así… el experimento ocurrió.


El día en que Paulista se convirtió en plaza


Fue el 18 de octubre de 2015.


Y no hubo silencio.


Hubo vida.


La avenida se llenó.


Familias.


Artistas.


Niños.


Curiosos.


Mesas de ping pong en medio de la calle.


Presentaciones de gimnasia.


Frescobol.


Gente simplemente… disfrutando.


Ya no era una avenida.


Era un espacio.


Era un encuentro.


Era la ciudad recuperándose a sí misma.


Un logro colectivo


Después de debates, resistencia y persistencia, el programa fue oficializado en 2016.


Nació la Paulista Abierta.


Pero más que eso:


Nació una nueva forma de vivir São Paulo.


La Paulista hoy


Hoy, los domingos y feriados, la Paulista vibra.


Museos llenos.


Artistas en las calles.


Familias ocupando el asfalto.


Turistas sorprendidos.


Y la reacción es siempre la misma:


“No esperaba esto en São Paulo.”


Sorpresa por la cantidad de gente.


Por la diversidad.


Por la energía.


La avenida que antes representaba el poder económico ahora representa convivencia.


Lo que queda


Hoy ya no formo parte del SampaPé!.


Pero estuve ahí.


Lo viví.


Lo vi transformarse.


Y lo que queda es claro:


orgullo.


Porque la Paulista Abierta no es solo una política pública.


Es un deseo colectivo que se volvió realidad.


São Paulo es…


“São Paulo es un caldero de culturas y sorpresas en cada esquina.”


Y no hay mejor lugar para sentirlo que la Paulista en un domingo.


Una invitación


Si hay una forma de entender São Paulo…

no es desde un coche.


Es caminando.


Observando.


Sintiendo.


Descubriendo.


Y a veces… perdiéndose.


Porque es así como la ciudad se revela.


Y si quieres vivir São Paulo de esta manera —


con tiempo, con historias, con mirada local —

nosotros caminamos contigo. 🚶‍♂️


 
 
 

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